contradições nos evangelhos!!!! Jesus não ressuscitou!?
Perfeito. Vou resolver os dois paradoxos, sem apelo ad hoc, sem negar nenhum texto bíblico e sem forçar a história — exatamente no nível técnico que você está trabalhando.
Vou tratar cada paradoxo separadamente e depois fechar com uma síntese única.
PARADOXO 1
📌 Alistamento de Quirino × morte de Herodes (4 a.C.)
O aparente conflito
Lucas 2.1–2 → alistamento ligado a Quirino
Mateus 2 → Herodes ainda vivo
História → Herodes morreu em 4 a.C.
História → Censo famoso de Quirino ocorreu em 6 d.C.
👉 Parece impossível… mas só parece.
🔑 Chave de solução (3 pontos convergentes)
1️⃣ Lucas NÃO descreve o censo fiscal de 6 d.C.
Lucas usa ἀπογραφή = registro / alistamento, não tributação
O censo de 6 d.C. foi:
fiscal
violento
gerou revolta (At 5.37)
Lucas conhece esse censo e o distingue claramente
📌 Logo:
Lc 2 ≠ At 5.37
São eventos distintos
2️⃣ Quirino atuou na Síria antes de 6 d.C.
Dados históricos mostram que:
Quirino teve missões militares e administrativas na Síria antes de ser legado formal
Registros romanos indicam processos de recenseamento em fases
registro populacional
depois tributação
📌 Lucas descreve a fase inicial, não a final.
3️⃣ Tradução legítima de Lucas 2.2
O grego permite (e a patrística já conhecia):
“Este alistamento ocorreu antes de Quirino governar a Síria”
Gramaticalmente possível
Contextualmente coerente
Historicamente decisivo
📅 Resultado cronológico coerente
Nascimento de Jesus: ~ 6 a.C.
Visita dos magos: meses depois
Fuga ao Egito
Morte de Herodes: 4 a.C.
Retorno de Jesus: ~2 anos de idade
📌 Sua conclusão está correta:
Jesus necessariamente nasceu antes de 4 a.C., muito provavelmente em 6 a.C.
✔ Bíblia preservada
✔ História preservada
✔ Nenhuma contradição real
PARADOXO 2
📌 Atos dos Apóstolos × Cartas de Paulo
(O quadro da imagem)
Esse paradoxo é mais literário do que histórico.
🔍 O erro da leitura comum
O erro está em assumir que:
Atos = autobiografia de Paulo ❌
Gálatas = cronologia completa ❌
Nenhum dos dois textos pretende isso.
🔑 Princípio hermenêutico decisivo
Atos é narrativa histórica seletiva
Gálatas é defesa apostólica argumentativa
Cada texto omite conscientemente o que não serve ao seu propósito.
Ponto por ponto (resolução)
1️⃣ “Paulo foi direto a Jerusalém” × “Paulo foi à Arábia”
Atos 9 resume
Gálatas 1 detalha
A ida à Arábia ocorre entre At 9.20–23
📌 Atos não nega a Arábia
📌 Apenas não a menciona
2️⃣ “3 visitas a Jerusalém” × “apenas 1 visita”
Atos conta todas as presenças
Gálatas conta visitas apostólicas relevantes
Paulo ignora:
visitas breves
visitas humanitárias
contatos não apostólicos
📌 Não é contradição
📌 É critério narrativo diferente
3️⃣ “Coleta antes” × “coleta depois”
Atos 11 → anúncio e início
Romanos 15 → execução final
Mesmo projeto, fases diferentes
📌 Processo ≠ conclusão
4️⃣ “Paulo em constante contato” × “Paulo autônomo”
Aqui está o ponto teológico central:
Paulo não dependeu dos apóstolos para receber o evangelho
Mas não esteve isolado do corpo apostólico
📌 Autonomia revelacional ≠ isolamento histórico
🧠 Síntese do Paradoxo 2
✔ Atos não contradiz Paulo
✔ Paulo não corrige Atos
✔ Ambos descrevem o mesmo ministério, sob ângulos diferentes
👉 O conflito nasce quando se exige de cada texto o que ele nunca prometeu dar.
CONCLUSÃO FINAL (os dois paradoxos resolvidos)
📌 Paradoxo 1 (Jesus):
Jesus nasceu ~ 6 a.C.
Herodes morreu quando Ele tinha ~2 anos
O alistamento de Lucas não é o censo de 6 d.C.
📌 Paradoxo 2 (Paulo):
Atos = narrativa histórica seletiva
Gálatas = defesa apostólica pessoal
Diferença de foco ≠ contradição
👉 Em ambos os casos:
O problema não está na Bíblia,
mas na leitura moderna simplificada.
Perfeito. Esse é o terceiro “paradoxo clássico”, e ele se resolve do mesmo modo que os anteriores:
👉 não forçando cronologia,
👉 não acusando nenhum evangelista,
👉 respeitando gênero, recortes narrativos e silêncios intencionais.
Vou responder seguindo exatamente essa linha que você mostrou.
📌 O PARADOXO
Natividade em Mateus × Natividade em Lucas
Alegação comum:
“Lucas diz que eles voltaram para Nazaré logo após o parto,
Mateus diz que eles foram para o Egito.
Logo, um dos dois está errado.”
👉 Isso só existe se alguém pressupuser que cada evangelho está tentando contar tudo.
Eles não estão.
🔑 PRINCÍPIO-CHAVE (igual aos outros paradoxos)
Mateus e Lucas narram a infância de Jesus a partir de eixos diferentes,
com omissões conscientes e não contraditórias.
Mateus → eixo real, político e davídico
Lucas → eixo sacerdotal, legal e litúrgico
Nenhum dos dois promete cronologia exaustiva.
🧭 ORGANIZAÇÃO CORRETA DOS EVENTOS
(unindo Mateus + Lucas, sem inventar nada)
1️⃣ Anúncios e concepção
Anúncio a Maria (Lc 1)
Concepção pelo Espírito Santo (Mt 1 / Lc 1)
📌 Aqui não há conflito algum.
2️⃣ Nascimento em Belém
Viagem Nazaré → Belém (Lc 2)
Nascimento de Jesus (Mt 1 / Lc 2)
Manjedoura (Lucas especifica)
Pastores (Lucas especifica)
📌 Mateus não nega a manjedoura nem os pastores
📌 Apenas não os menciona
3️⃣ Primeiras semanas (Lucas entra, Mateus silencia)
Circuncisão (8º dia)
Apresentação no templo (≈ 40 dias)
Ritos de purificação de Maria (Lv 12)
📌 Mateus não diz que isso não aconteceu
📌 Ele simplesmente não está interessado nisso
4️⃣ Retorno a Belém (ponto que resolve tudo)
Aqui está o detalhe ignorado pela maioria:
Lucas diz:
“Voltaram para a Galileia, para Nazaré” (Lc 2.39)
📌 Isso é:
um resumo teológico
não uma cronologia detalhada
fórmula típica lucana (compressão narrativa)
👉 Lucas NÃO diz:
“imediatamente”
“sem sair de Nazaré”
“sem nenhum outro evento intermediário”
5️⃣ Visita dos magos (Mateus entra, Lucas silencia)
Meses depois (não na noite do nascimento)
Jesus já está em uma casa (Mt 2.11)
Herodes calcula até 2 anos
📌 Isso só faz sentido se:
a família não tivesse voltado definitivamente a Nazaré ainda
Ou seja:
Belém → Jerusalém (templo)
Jerusalém → Belém
Permanência em Belém por algum tempo
Nada contraditório.
6️⃣ Fuga para o Egito (Mateus)
Motivada por ameaça política
Tema de Mateus: Moisés / Êxodo / Rei perseguido
📌 Lucas não nega o Egito
📌 Ele não precisa mencioná-lo
7️⃣ Retorno definitivo a Nazaré
Após a morte de Herodes (4 a.C.)
Cumprimento profético
Fixação final na Galileia
👉 Aqui Lucas e Mateus convergem novamente
🧠 POR QUE CADA UM ESCREVE ASSIM?
📘 Mateus
Interesse:
✔ Herodes
✔ Magos
✔ Egito
✔ Realeza
✔ Profecias messiânicas régias
👉 Por isso omite:
pastores
templo
ritos levíticos
📙 Lucas
Interesse:
✔ Maria
✔ Templo
✔ Sacerdócio
✔ Lei
✔ Espírito Santo
👉 Por isso omite:
magos
Herodes
massacre
Egito
📌 O silêncio é editorial, não histórico.
✅ CONCLUSÃO (o paradoxo dissolvido)
✔ Lucas não diz que não houve Egito
✔ Mateus não diz que não houve templo
✔ Ambos resumem
✔ Ambos selecionam
✔ Ambos convergem no final: Nazaré
👉 O erro nasce quando se exige de um evangelho aquilo que ele nunca se propôs a narrar.
🧩 Em uma frase
Mateus narra a infância de Jesus sob o eixo da realeza ameaçada;
Lucas, sob o eixo da lei cumprida.
Os silêncios de um são preenchidos pelo foco do outro, não por contradição.
(1) a coexistência de dois calendários e (2) o uso de dois sistemas de contagem de horas. Quando esses elementos culturais são respeitados, Marcos e João deixam de se contradizer e passam a se complementar.
1. Dois calendários em uso no século I
📅 Calendário lunar oficial do Templo (judeu/judaico)
Usado pelas autoridades do Templo em Jerusalém (saduceus).
O dia começava ao pôr do sol.
A Páscoa (14 de nisã) era definida por observação lunar oficial.
Os sacrifícios pascais eram feitos na tarde do 14 de nisã, e a refeição pascal ocorria na noite que iniciava o 15 de nisã.
➡️ Esse é o calendário refletido em João.
João 19:14 — “Era a preparação da Páscoa…”
Aqui, “preparação da Páscoa” significa o dia em que os cordeiros ainda estavam sendo preparados, não a noite da ceia.
📅 Calendário solar (ou essênio/nazareno/galileu)
Usado por galileus, essênios e outros grupos dissidentes do Templo.
O calendário era solar, fixo, sem depender da observação lunar oficial.
A Páscoa podia cair um dia antes da data oficial do Templo.
Jesus e os discípulos, sendo galileus, seguiam esse calendário.
➡️ Esse é o calendário refletido em Marcos, Mateus e Lucas.
Marcos 14:12 — “No primeiro dia dos pães asmos, quando se sacrificava a Páscoa…”
Ou seja, para eles, aquele já era o dia correto da Páscoa.
2. Isso explica a ceia “pasc al” e “não pascal”
Nos Sinópticos (Marcos, Mateus, Lucas):
A ceia é pasc al, pois ocorre na data correta segundo o calendário galileu.
Em João:
A ceia não é chamada de pascal, porque o calendário oficial do Templo ainda não havia chegado ao 14 de nisã.
👉 Não são dois eventos diferentes.
São dois calendários diferentes descrevendo o mesmo evento.
3. Dois sistemas de contagem das horas
⏰ Relógio judaico
O dia começava ao nascer do sol (~6h).
A “hora terceira” ≈ 9h.
A “hora sexta” ≈ 12h.
➡️ Marcos usa esse sistema:
Marcos 15:25 — “Era a hora terceira quando o crucificaram.”
≈ 9h da manhã, segundo o relógio judaico.
⏰ Relógio romano
O dia começava à meia-noite.
A “hora sexta” ≈ 6h da manhã.
➡️ João usa o sistema romano:
João 19:14 — “Era cerca da hora sexta…”
Ou seja, por volta das 6h, quando Jesus ainda estava diante de Pilatos.
4. A sequência harmonizada
Quinta à noite (calendário galileu):
Jesus celebra a Páscoa com os discípulos.
Institui o pão e o cálice.
Lava-pés (João destaca esse ponto).
Madrugada:
Prisão, interrogatórios religiosos e civis.
Manhã de sexta-feira:
~6h (hora sexta romana) → Jesus diante de Pilatos (João).
~9h (hora terceira judaica) → Crucificação (Marcos).
Tarde:
Sacrifício dos cordeiros pascais no Templo.
Morte de Jesus:
O verdadeiro Cordeiro morre no mesmo período em que os cordeiros são sacrificados, cumprindo o simbolismo pascal.
5. Conclusão
O que parece “dia errado” e “hora errada” não é erro histórico, mas:
📅 Calendários diferentes
⏰ Relógios diferentes
🏛️ Grupos judaicos diferentes
🌍 Contexto cultural do século I
Os evangelhos não se contradizem.
Eles preservam com precisão as perspectivas reais de judeus galileus, autoridades do Templo e do mundo romano.
👉 O paradoxo só existe quando se tenta ler o século I com um relógio moderno e um calendário ocidental.
📌 misturar gêneros literários, propósitos teológicos e níveis de detalhe diferentes, como se ambos estivessem tentando fazer a mesma coisa — quando não estão.
Vou responder ponto a ponto, mostrando que Atos e as cartas de Paulo não competem entre si, mas operam em camadas diferentes da mesma história.
1. Atos e Gálatas não têm o mesmo objetivo
📖 Atos dos Apóstolos
Livro histórico-narrativo.
Tema central:
como o Evangelho sai de Jerusalém, alcança os gentios e se organiza no mundo greco-romano.
Paulo aparece como agente da expansão, não como objeto de defesa autobiográfica.
Lucas seleciona eventos relevantes para o avanço da missão, não para listar todas as viagens ou explicar a origem epistemológica da doutrina paulina.
👉 Atos não pretende ser uma autobiografia exaustiva de Paulo.
📜 Carta aos Gálatas
Carta polêmica e defensiva.
Tema central:
a origem divina do evangelho que Paulo prega, contra acusadores que diziam que ele dependia de Jerusalém.
Por isso Paulo:
resume seletivamente sua história,
destaca apenas os encontros relevantes para o argumento,
omite eventos que não contribuem para a tese.
👉 Gálatas não pretende narrar tudo o que Paulo fez, mas provar que ele não recebeu o evangelho por tradição humana.
2. “Os da Judeia não o conheciam” (Gl 1:22)
vs.
“Atos mostra Paulo em Jerusalém”
✔️ Resolução
Gálatas diz:
“Não era conhecido de vista pelas igrejas da Judeia” (Gl 1:22)
Isso não significa:
que Paulo nunca esteve em Jerusalém,
nem que ninguém o conhecia pessoalmente.
Significa:
as igrejas da Judeia como comunidades locais não tinham convivência com ele,
Paulo não exercia ministério público ali,
sua fama vinha por ouvir dizer, não por contato pastoral direto.
👉 Estar em Jerusalém ≠ ser conhecido pelas igrejas da Judeia.
3. “Em Damasco, judeus deliberam matá-lo” (At 9:23)
vs.
“O etnarca de Aretas quer prendê-lo” (2Co 11:32)
✔️ Resolução
Atos descreve a motivação religiosa: judeus hostis.
2 Coríntios descreve a execução política: o etnarca (autoridade local).
👉 Não são versões concorrentes, mas níveis diferentes do mesmo evento:
Judeus instigam,
Autoridade civil executa.
Isso é comum em Atos (cf. Jesus: líderes judeus + poder romano).
4. “Depois da conversão, vai para Jerusalém” (At 9)
vs.
“Vai para a Arábia” (Gl 1:17)
✔️ Resolução
Atos resume:
conversão → algum tempo → Jerusalém.
Gálatas detalha:
conversão → Arábia → Damasco → Jerusalém (após 3 anos).
Lucas simplesmente pula a etapa da Arábia, porque:
ela não afeta a narrativa da expansão da Igreja,
mas é central para o argumento de Gálatas (independência apostólica).
👉 O silêncio de Atos não é negação, é seleção narrativa.
5. “Paulo esteve 3 vezes em Jerusalém antes do Concílio” (Atos)
vs.
“Paulo menciona apenas 1 visita” (Gl 1:18)
✔️ Resolução decisiva (ponto-chave que o paradoxo ignora)
Atos 11:29–30:
Paulo vai a Jerusalém para levar ajuda aos pobres, não para receber instrução apostólica.
Gálatas trata exclusivamente de encontros com apóstolos em função doutrinária.
Logo:
Paulo não conta Atos 11 em Gálatas porque não é relevante ao argumento.
Ele não está mentindo; está argumentando.
👉 Gálatas não diz: “fui a Jerusalém apenas uma vez”,
mas: “apenas uma vez fui a Jerusalém para tratar da origem do meu evangelho”.
6. A coleta “antes” ou “depois” do Concílio
✔️ Resolução
Atos 11 fala de uma coleta específica (fome na Judeia).
Romanos 15 fala de outra coleta, anos depois, envolvendo Macedônia e Acaia.
👉 O erro é assumir que toda coleta é a mesma coleta.
7. “Paulo em constante contato” (Atos)
vs.
“Paulo é autônomo dos apóstolos” (Gálatas)
✔️ Resolução conceitual
Autonomia não significa isolamento.
Paulo:
não dependeu dos apóstolos para receber o evangelho,
mas manteve comunhão com eles.
Isso é exatamente o que Gálatas 2 mostra:
reconhecimento mútuo, não subordinação.
👉 Comunhão ≠ dependência doutrinária.
Conclusão geral
Esse “paradoxo” nasce de três erros:
Tratar Atos como autobiografia exaustiva
Tratar Gálatas como cronologia completa
Ignorar que Paulo escreve com intenção argumentativa
Quando respeitamos:
o gênero literário,
o propósito teológico,
o foco narrativo,
👉 Atos e as cartas de Paulo se encaixam perfeitamente.
O que Atos mostra é o Evangelho se desenvolvendo e se ramificando até o ministério paulino.
O que Gálatas mostra é a fonte divina desse Evangelho.
Não são versões concorrentes.
São camadas diferentes da mesma história.
" O Pilatos da Bíblia é diferente do Pilatos histórico "
Esse argumento não se sustenta historicamente e nasce, de novo, de um erro de leitura psicológica e cultural do personagem, não de falta de historicidade. Vou responder de forma direta, equilibrada e historicamente consistente.
1. Pilatos histórico: duro, sim — mas não irracional
As fontes extrabíblicas (especialmente Flávio Josefo e Fílon de Alexandria) descrevem Pilatos como:
autoritário,
insensível às sensibilidades judaicas,
capaz de repressão violenta.
Mas nenhuma fonte o descreve como um sádico instável que executava pessoas sem critério político. Ele era:
um prefeito romano pragmático, cujo objetivo principal era manter a ordem e evitar revoltas — especialmente durante festas como a Páscoa.
👉 Ser “duro” não significa agir de forma automática ou emocional.
2. O Pilatos dos Evangelhos não é “suave”, é político
Os evangelhos não retratam Pilatos como bondoso, mas como:
cínico (“O que é a verdade?”),
calculista,
hesitante por conveniência política, não por compaixão,
disposto a sacrificar um inocente para preservar a ordem.
Ele:
manda açoitar Jesus,
autoriza a crucificação,
lava as mãos — gesto político, não piedoso.
👉 Isso é coerente com o Pilatos histórico: brutal quando necessário, cauteloso quando conveniente.
3. O sonho da esposa de Pilatos: fator cultural real, não lenda
“Não te envolvas com esse justo, porque hoje, em sonho, muito sofri por causa dele” (Mt 27:19)
No mundo romano:
sonhos eram considerados presságios divinos,
esposas de oficiais tinham influência privada real,
ignorar um mau presságio podia ser visto como imprudência.
👉 O sonho não transforma Pilatos em piedoso, mas aumenta sua cautela.
4. Jesus não representava ameaça política direta
Pilatos executava insurretos, não:
rabinos pobres,
pregadores itinerantes sem exército,
homens rejeitados por suas próprias lideranças.
Os evangelhos são claros:
não há acusação romana sólida,
a acusação é religiosa, convertida artificialmente em política (“rei dos judeus”).
👉 Para Pilatos, Jesus era:
inofensivo politicamente,
mas perigoso como estopim social, se libertado.
5. O fator decisivo: Jerusalém + Páscoa + pressão judaica
Durante a Páscoa:
Jerusalém ficava superlotada,
qualquer agitação podia virar rebelião,
Pilatos já tinha histórico de conflitos com judeus.
Quando os líderes dizem:
“Se soltas este homem, não és amigo de César” (Jo 19:12)
👉 Isso é chantagem política direta, não drama teológico.
Pilatos cede não por bondade, mas por autopreservação.
6. Por que os evangelhos mostram tensão e hesitação?
Porque isso explica historicamente por que:
um homem reconhecido como inocente
foi mesmo assim crucificado.
Não por falta de poder de Pilatos, mas por:
cálculo político,
medo de denúncia,
conveniência administrativa.
Conclusão
📌 O Pilatos dos evangelhos não é fictício, nem suavizado artificialmente.
📌 Ele é o mesmo Pilatos histórico, agindo conforme:
pragmatismo romano,
superstição cultural (sonhos),
pressão política local,
desprezo instrumental pela justiça.
Ele não é um vilão melodramático, nem um herói relutante.
É exatamente o que esperaríamos de um prefeito romano no limite da instabilidade política.
Ou seja:
👉 o problema não está nos evangelhos, mas na caricatura moderna de Pilatos.
As chamadas contradições nos relatos bíblicos sobre a ressurreição não são, na verdade, incoerências, mas sim diferenças de perspectiva e ênfase. A análise cuidadosa dos textos mostra que os relatos se complementam, formando um quadro unificado. A seguir, apresentamos os 15 pontos de questionamento e a sua harmonização.
1. Quem foi ao túmulo?
A aparente contradição é que cada evangelho cita mulheres diferentes.
Refutação: Não há contradição, mas sim uma seleção de informações. Cada autor dos evangelhos destacou as pessoas conforme sua própria ênfase. João, por exemplo, foca em Maria Madalena, enquanto Lucas, sendo mais detalhista, lista outras mulheres. A soma dos relatos mostra que várias mulheres foram ao túmulo, mas cada escritor destacou aquelas que eram relevantes para sua narrativa. Um evangelho não nega o outro; ele apenas acrescenta informações.
2. Quantos anjos estavam no túmulo?
Mateus menciona um anjo, enquanto Marcos fala de um jovem. Já Lucas e João descrevem dois anjos.
Refutação: A Bíblia nunca afirma que havia somente um anjo. Mateus e Marcos podem ter focado em apenas um dos anjos, provavelmente o que falou com as mulheres. A divergência é apenas na quantidade registrada, e o fato de haver dois não nega a presença de um. Portanto, os relatos são complementares, não contraditórios.
3. A pedra já tinha sido removida?
Mateus descreve o anjo removendo a pedra diante das mulheres, enquanto Marcos, Lucas e João dizem que a pedra já tinha sido removida quando elas chegaram.
Refutação: O texto de Mateus 28:2, no grego, pode ser entendido como um ato prévio. Ele diz que "houvera um grande terremoto", indicando que a remoção da pedra aconteceu antes da chegada das mulheres. Ou seja, Mateus descreve o evento de remoção, mas não necessariamente que ele ocorreu naquele exato momento. Quando as mulheres chegaram, a pedra já estava removida, o que está em harmonia com os outros relatos.
4. Quais foram as últimas palavras de Jesus?
Mateus e Marcos registram: "Deus meu, por que me desamparaste?". Lucas registra: "Pai, em tuas mãos entrego meu espírito". Já João descreve: "Está consumado."
Refutação: Jesus pronunciou todas essas frases, e cada evangelista escolheu destacar a que era mais relevante para seu enfoque. Lucas enfatizou a entrega confiante de Jesus ao Pai, João destacou a vitória de Cristo sobre a morte, e Mateus e Marcos deram ênfase ao cumprimento profético do Salmo 22:1. Portanto, as frases não são contraditórias, mas sim complementares.
5. A hora da crucificação?
Marcos menciona que a crucificação ocorreu por volta das 9h da manhã, enquanto João diz que foi por volta do meio-dia.
Refutação: A diferença se explica pelo uso de sistemas horários diferentes. Os judeus contavam as horas a partir do nascer do sol (cerca das 6h da manhã), enquanto os romanos contavam a partir do meio-dia. Supondo que Marcos usou o sistema judaico (a terceira hora) e João o sistema romano (a sexta hora), ambos os relatos estão corretos.
6. Escuridão e terremoto
Apenas Mateus, Marcos e Lucas mencionam a escuridão e o terremoto, enquanto João não os cita.
Refutação: O silêncio de João não é uma negação. O autor de João frequentemente omite eventos que já eram conhecidos através dos outros evangelhos, pois sua prioridade era apresentar um relato com ênfase mais teológica, e não uma cronologia exaustiva. A ausência de menção por parte de João não invalida os relatos dos outros evangelistas.
7. O véu do templo
Mateus e Marcos afirmam que o véu do templo foi rasgado após a morte de Jesus, mas Lucas sugere que foi antes de Ele expirar.
Refutação: A ordem de Lucas pode ser entendida como uma descrição geral dos sinais que acompanharam a morte de Jesus, não necessariamente uma cronologia precisa. Já Mateus e Marcos parecem ser mais cronológicos, mostrando a sequência exata dos eventos: a morte de Jesus, seguida pelo rasgar do véu. No entanto, os três relatos concordam que os eventos ocorreram de forma simultânea.
8. Os "mortos-vivos" em Mateus
Apenas o Evangelho de Mateus registra que, após a ressurreição de Cristo, muitos corpos de santos ressuscitaram e apareceram em Jerusalém.
Refutação: O fato de um evento ser exclusivo de um evangelho não o torna falso. Cada autor dos evangelhos registrou o que lhe foi transmitido, e Mateus, escrevendo para um público judeu, destacou sinais escatológicos importantes para essa cultura. O silêncio dos outros evangelhos sobre este ponto não o invalida.
9. Os 500 irmãos de Paulo
Apenas Paulo, em sua primeira carta aos coríntios, menciona que Jesus ressuscitado apareceu para mais de 500 irmãos ao mesmo tempo.
Refutação: O testemunho de Paulo é independente dos evangelhos e, na verdade, reforça a veracidade da ressurreição. Ele escreveu sua carta por volta de 55 d.C., antes de os evangelhos sinóticos serem finalizados, e o fato de que um grande grupo de pessoas foi testemunha do mesmo evento corrobora os relatos dos evangelistas.
10. A ascensão de Jesus
Marcos e Lucas parecem indicar que a ascensão de Jesus ocorreu no mesmo dia da ressurreição, enquanto o livro de Atos afirma que foi 40 dias depois.
Refutação: Lucas é o autor tanto do Evangelho de Lucas quanto do livro de Atos. Em seu evangelho, ele faz um resumo dos eventos, enquanto em Atos ele apresenta um relato mais detalhado. Não são versões diferentes, mas níveis distintos de detalhe, e o resumo não contradiz a versão mais completa.
11. Galileia ou Jerusalém?
Mateus e Marcos dizem que Jesus ordenou que os discípulos fossem para a Galileia, enquanto Lucas e Atos afirmam que eles deveriam ficar em Jerusalém.
Refutação: Mateus 28:16-17 registra que os onze foram para a Galileia e ali viram Jesus (encontro galileu). João também registra aparições em Jerusalém (salão superior — João 20) e uma aparição posterior na Galileia junto ao mar de Tiberíades (João 21:1-14).
Lucas / Atos: Lucas 24 enfatiza aparições em e perto de Jerusalém e dá instrução para aguardarem ali o cumprimento da promessa; Atos 1:3 diz que Jesus se apresentou vivo por 40 dias e Atos 1:9-12 relata a ascensão em Betânia/Monte das Oliveiras, com o retorno dos discípulos a Jerusalém.
Harmonização plausível: houve múltiplas aparições em momentos e lugares diferentes — algumas em Jerusalém logo após a ressurreição, outras na Galileia (conforme ordem de Jesus em Mateus). As aparições se estenderam por um período (Atos 1:3 = 40 dias) e a ascensão ocorreu ao fim desse período em Jerusalém/Betânia, quando os discípulos então retornaram a Jerusalém.
12. As primeiras palavras do ressuscitado
Cada evangelho registra uma fala inicial diferente de Jesus ressuscitado.
Refutação: Isso se explica porque Jesus apareceu em momentos diferentes e para pessoas diferentes. A primeira fala a Maria (João 20) não invalida a saudação posterior aos discípulos (Mateus 28; Lucas 24), e não há contradição nisso.
13. Ninguém reconhecia Jesus?
Lucas e João relatam uma certa demora em reconhecer Jesus, mas Mateus e Marcos indicam que o reconhecimento foi imediato.
Refutação: O corpo glorificado de Jesus tinha propriedades diferentes das de seu corpo físico, o que por vezes dificultava o reconhecimento imediato. Essa dificuldade na percepção reforça a natureza sobrenatural da ressurreição, em vez de invalidá-la.
14. Nenhum historiador menciona a ressurreição?
Questiona-se que historiadores antigos como Filo, Josefo e Tácito não mencionaram o evento.
Refutação: Muitos historiadores antigos ignoraram eventos locais, mas há registros que corroboram a narrativa. O historiador Tácito, por exemplo, menciona a execução de Cristo sob Pôncio Pilatos. Além disso, os evangelhos foram escritos na mesma geração do evento, enquanto testemunhas oculares ainda estavam vivas, o que dá validade aos relatos.
15. Teólogos modernos negam a ressurreição?
Muitos teólogos modernos, como Bultmann, Ehrman e Spong, negam a ressurreição de Cristo.
Refutação: A autoridade para a fé cristã não reside na opinião de estudiosos modernos, mas nas Escrituras e no testemunho apostólico. A Bíblia já alertava para aqueles que, sem fé, não seriam capazes de entender as coisas divinas. O ceticismo desses teólogos prova apenas que a razão humana, por si só, não alcança a revelação espiritual.
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