Deus criou o bem ou a sabedoria?
Texto revisado
Para criar a sabedoria, Deus não precisaria possuir conhecimento? E, portanto, a capacidade de aplicar o conhecimento para então criar a sabedoria? Mas, ao mesmo tempo, seria necessário ter sabedoria para criar a própria sabedoria... então?
Chegamos à conclusão de que Deus não criou a sabedoria no sentido de trazê-la à existência, mas no sentido de revelá-la de forma perceptível aos cinco sentidos — audível, visível e palpável. Em outras palavras, Deus “cria” a sabedoria da mesma maneira que “cria” o mal em Isaías, e também o bem: isto é, Ele manifesta o mal para exercer juízo e manifesta o bem para revelar Sua natureza. Assim, quando se diz que Deus “cria a sabedoria”, o sentido é que Ele a torna acessível à criação, ou seja, manifesta às criaturas o que é incriado, da mesma forma que manifesta o bem.
A criação, nesse contexto, não significa gerar algo novo do nada, mas tornar visível, compreensível e experienciável aquilo que já existe eternamente n’Ele.
Um exemplo disso é o respeito. Ele é um padrão absoluto e incriado. Onde há ausência de respeito, ali há agravo. No entanto, eu não crio o agravo em sua natureza plena; o agravo é apenas a ausência de algo genuinamente bom, complexo e incriado. Eu posso criar o agravo circunstancialmente, como manifestação da falta de respeito — ou seja, o agravo em si não existia como entidade, mas apenas o respeito. Contudo, onde falta o respeito, surge o agravo.
De forma análoga, o respeito — ou o padrão de algo que seja respeitável — é a imagem e expressão de um padrão eterno e indissolúvel, que está acima de qualquer tipo de moralidade subjetiva. Trata-se, portanto, de algo que transcende os padrões morais criados pelos homens, sendo .
ou seja, “criar” em Deus às vezes significa manifestar ou revelar o que já existe eternamente n’Ele (como em Isaías 45:7 , ou Provérbios 8).
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