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É possível que o autor esteja abordando o dilema de Epicuro.
Se não foi essa a intenção, a resposta depende. Geralmente, quando se analisa esse tipo de situação, os indivíduos tendem a se colocar acima de Deus. Contudo, não há um árbitro ou juiz que possa intervir entre o ser humano e Deus, julgar a Deus e absolver o indivíduo. Pelo contrário, Deus está acima de tudo e de todos.
Para julgar a Deus, seria necessário conhecer tudo o que Deus fez e tudo o que Deus é. Mesmo para argumentar que Ele não é real, é preciso ter conhecimento. O autor não se atreve a dizer que a evolução não é real, ou que Deus não é real. Mas, à luz das evidências, ele forma as suas próprias convicções pessoais.
Pode-se dizer que a gravidade não é boa porque, sempre que crianças caem de prédios altos, elas morrem. No entanto, não existiria vida humana na Terra se não houvesse gravidade. A gravidade não é má; a gravidade é o que é. Há pessoas que se beneficiam dela e pessoas inocentes que morrem por causa dela. Pergunta-se: em quem se colocaria a culpa: na criança que cai do prédio, nos pais dela ou na gravidade?
Essa é a mesma resposta que o autor usará para responder...
Na Bíblia, a Palavra de Deus não diz nada diretamente sobre a filosofia epicurista nem sobre a doutrina do trilema desse nome. Somente há a menção dos discípulos de Epicuro em Atenas (Atos 17:18).
A primeira coisa que se tem que entender é que a Bíblia não é um texto de curiosidades e que não é um livro de perguntas e respostas. É um conjunto de livros que apresenta a Cristo, e Ele diz que sim, o Senhor Jesus é o Criador e que é o mesmo "Senhor" do Antigo Testamento. Ele é Justo, Bondoso, Onipotente e Onisciente, e deve ser glorificado como o Pai.
Porém, a doutrina desse homem tenta contradizer a natureza divina e incessantemente tenta julgar o Todo-Poderoso no dito "Trilema de Epicuro". Pois bem, saiba-se que das Escrituras emerge uma passagem que ilustra bem o sofisma desse questionamento.
Esta passagem está no Evangelho de João, no capítulo 8 (João 8:1-11). Os judeus colocam o Senhor contra a parede quando trazem uma mulher adúltera, que era casada, mas que foi pega no flagra tendo relações sexuais fora do casamento, com um homem que, aliás, não foi levado ao juízo (talvez por ser um dos próprios fariseus). Ele estava riscando a areia enquanto os fariseus o estimulavam a matar a mulher.
A situação gerava um dilema:
 * Se Ele permitisse que ela fosse apedrejada (segundo Levítico 20:10), o Senhor seria culpado de homicídio perante os romanos, pois somente eles tinham jurisdição para matar.
 * Se Ele não a apedrejasse, estaria pondo em contradição a Lei de Moisés, a lei que Ele próprio instituiu.
 * A última opção seria conceber que não era apto para julgar.
A conclusão do trilema seria: Na primeira opção, Ele não seria de todo bom. Na segunda, não seria onisciente. E na terceira, não seria Todo-Poderoso. Assim, Epicuro conclui que se qualquer "ser transcendente" não pode ser de todo bom, não sabe de tudo, e não pode ser Deus, então não há porquê chamá-lo de Deus.
Contudo, quando se lê a Palavra de Deus, vê-se: "Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor" (Provérbios 21:30).
O apóstolo Paulo sabia que o coração do homem é mau. Contudo, "do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça" (Romanos 1:18). Além disso, a criação de Deus — coisa que os ateus fanaticamente negam — contesta a hipótese de "não haver um criador", porque "tanto o seu eterno poder como a sua divindade se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis. Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus raciocínios se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu." (Romanos 1:20-21).
Voltando ao assunto, o Senhor Jesus conhecia sim as Santas Escrituras, conhecia não só o coração deles, mas também a hipocrisia. O Senhor, com o seu conhecimento, o seu poder para julgar e a sua justiça, disse-lhes: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela" (João 8:7).
O desafio é claro: o indivíduo tem esse pré-requisito? Se não, não se pode ser o Juiz de Deus, pois:
 * Não se pode ser imparcial no julgamento, porque "o que faço não aprovo; pois o que quero, isso não faço, mas o que aborreço, isso faço... Ora, se faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado que habita em mim" (Romanos 7:15, 19-20).
 * Não se é poderoso, pois é sujeito ao pecado.
 * Não se é bom, porque peca e é por natureza pecador, sendo "escravo do pecado" (João 8:34).
O apóstolo conclui sobre a condição humana: "Acho, então, esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo, porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus, mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros" (Romanos 7:21-23).
Se o ser humano não é bom, não é poderoso e não conhece a si mesmo por completo, como pode cogitar a possibilidade de dizer se Deus é bom ou mau? O conhecimento da verdade está n'Ele, pois Ele é Onisciente e Amor. "Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1 João 4:8). O mandamento que diz "ama o próximo como a ti mesmo" é igual ao mandamento que diz "ama a Deus sobre todas as coisas".
O apóstolo Paulo defende que o caminho mais excelente é o Amor. Ele demonstra que as três qualidades divinas, quando imitadas pelo homem, de nada servem sem o amor:
 * Ainda que conhecesse todos os mistérios e toda ciência (fosse onisciente);
 * Ainda que desse toda a fortuna aos pobres e entregasse o corpo para ser queimado (fosse benevolente);
 * Ainda que tivesse uma fé tal que transportasse montes (fosse Todo-Poderoso).
Ele reconhece que, sem o amor, seria como "um simples metal que vibra de determinado material e transmite as moléculas de ar sob a forma de ondas sonoras" e que "se não tivesse amor, nada disso aproveitaria" (1 Coríntios 13:1-3).
A conclusão do apóstolo, após confrontar a lei do pecado em si mesmo, é: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas com a carne, à lei do pecado. Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte" (Romanos 7:24-25, 8:1-2).
Conclusão sobre o Trilema de Epicuro (Corrigida)
O Trilema de Epicuro questiona a bondade, onisciência e onipotência de Deus diante do mal e do pecado. A Bíblia demonstra que o ser humano não está em posição de julgar o Criador, porque não é totalmente bom, não é todo-poderoso e não possui conhecimento completo de si mesmo ou do universo (Romanos 7:21-23; João 8:34; 1 João 4:8). O Senhor Jesus, que é plenamente justo, amoroso e onisciente, mostra que o julgamento divino é perfeito e justo (João 8:7).
A resolução do Trilema não está em questionar Deus, mas em compreender que o amor e a sabedoria de Deus transcendem a limitação humana. Deus age conforme Sua justiça, poder e conhecimento completos, e o homem, ao reconhecer sua própria limitação e aceitar Cristo, encontra perdão, orientação e redenção (Romanos 8:1-2). Assim, a aparente contradição do Trilema é dissolvida quando se entende que Deus é plenamente bom, onipotente e onisciente, e que o mal existe por causa da escolha humana, não pela incapacidade de Deus."

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